
Palácio Nacional de Sintra
No centro da vila de Sintra, marcando a paisagem com a silhueta inconfundível das duas chaminés cónicas que coroam a cozinha real, ergue-se o único palácio que atravessou toda a história de Portugal.
O Paço de Sintra atual é formado por muitos paços reais. É um conjunto de edifícios que foram construídos, acrescentados e adaptados ao longo de séculos, sendo a data da fundação do paço mais antigo um enigma por resolver ainda hoje.
Guardião de memórias e testemunha de acontecimentos empolgantes da história de Portugal, o Paço de Sintra oferece a quem o visita a oportunidade de fazer uma viagem no tempo e ir ao encontro de outras vidas tão diferentes das nossas.
Recantos do Palácio
Salas do Paço Real

A organização de salas no Paço de Sintra refletia uma hierarquização social encabeçada pelo Rei e pela Rainha. Este núcleo corresponde ao Paço Real construído no reinado de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Começa na Sala Grande, atual Sala dos Cisnes, à qual podiam aceder todos os que entravam no palácio. O acesso às divisões seguintes era gradualmente seletivo, culminando na Câmara do Rei ou da Rainha. Só alguns membros da alta nobreza, do clero ou embaixadores importantes poderiam aí entrar.
A disposição do mobiliário era alterada para se conformar a uma encenação de poder desejada, ou para se adequar ao estatuto social das pessoas presentes.
Sala dos Brasões

A Sala dos Brasões é a expressão máxima do ideal de monarquia do rei D. Manuel I. Ao colocar o seu brasão no alto da cúpula desta sala, D. Manuel projeta-se como centro e topo de uma sociedade altamente hierarquizada, mas interdependente. O seu poder depende do apoio da nobreza, e esta obtém do rei a distinção social de que necessita.
A nobreza é aqui representada pelos brasões das 72 famílias mais importantes. Os brasões refletem identidades a que os indivíduos se associam, sendo uma forma de distinção social.
As paredes desta sala foram revestidas no século XVIII a azulejos com cenas galantes.
Sala do Leito de Aparato

No início do século XX, a atual Sala do Leito de Aparato servia como sala de jantar do pessoal ao serviço à rainha D. Maria Pia. Hoje, expõe-se aqui um leito de aparato do século XVII, que pertenceu aos Duques de Cadaval. O século XVII foi sempre visto como um período de obscuridade e de dificuldades financeiras para Portugal.
Em 2016, a reconstrução de um leito forrado a prata do século XVII, até então desmembrado e arruinado, revelou o lado mais sumptuoso da monarquia portuguesa, colocando em causa a narrativa até então defendida.
Um pouco do nosso lindo Parque
Jardins
Os jardins do Palácio Nacional de Sintra desenvolvem-se em socalcos a poente do Palácio.
No primeiro patamar situa-se o Jardim da Preta, que constitui um miradouro natural sobre a Serra de Sintra e o centro histórico. Recentemente restaurado, o seu nome deve-se a uma composição em massa pintada, representando uma negra lavadeira de roupa acompanhada de uma figura masculina de libré vermelha. No centro deste jardim ergue-se uma coluna torsa manuelina de grandes proporções que, até ao início do séc. XX, se encontrava no largo em frente à entrada do Terreiro do Palácio, então um espaço fechado.
O Jardim da Araucária, a Horta, o Pátio dos Tanquinhos e o Jardim dos Príncipes são os restantes espaços que completam estes jardins, sempre enquadrados por vistas magníficas.

Pátio central e Gruta dos Banhos
O Pátio Central permite circular entre as várias divisões do Paço de D. João I e D. Filipa, sem ter que atravessar todo o interior. O piso superior, em cujo exterior se observa pintura mural do século XVI, tem acesso direto através de escadas em caracol. Ao centro, existe um esguicho de água em forma de coluna torsa (séc. XVI).

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